sexta-feira, 22 de março de 2024

Ao Luar
Quando, à noite, o Infinito se levanta

A luz do luar, pelos caminhos quedos
Minha táctil intensidade é tanta
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!
Quebro a custódia dos sentidos tredos
E a minha mão, dona, por fim, de quanta
Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,
Todas as coisas íntimas suplanta!
Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,
Nos paroxismos da hiperestesia,
O Infinitésimo e o Indeterminado…
Transponho ousadamente o átomo rude
E, transmudado em rutilância fria,
Encho o Espaço com a minha plenitude!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Infinito Particular

Eis o melhor e o pior de mim



O meu termômetro o meu quilate


Vem, cara, me retrate


Não é impossível


Eu não sou difícil de ler


Faça sua parte


Eu sou daqui eu não sou de Marte


Vem, cara, me repara


Não vê, tá na cara, sou portabandeira


de mim


Só não se perca ao entrar


No meu infinito particular


Em alguns instantes


Sou pequenina e também gigante


Vem, cara, se declara


O mundo é portátil


Pra quem não tem nada a esconder


Olha minha cara


É só mistério, não tem segredo


Vem cá, não tenha medo


A água é potável


Daqui você pode beber


Só não se perca ao entrar


No meu infinito particular
 
(Marisa Monte)